Porta da China

Abril 10 2012

Devido a uma recente sobrecarga de compromissos, a actividade no Porta da China será interrompida. Espero, mas não garanto, que esta medida seja temporária. Caso deseje ser informado aquando da retoma de actividade do blog envie-me uma mensagem utilizando a caixa "Contacte o Porteiro" na coluna do lado esquerdo, deixando o seu email para que posteriormente o contacte. Poderá também a qualquer momento utilizar a mesma caixa para fazer perguntas sobre a China já que as mensagens aí deixadas seguem directamente para a minha mail box.

 

Obrigado.

 

E até breve!

publicado por Ordep às 16:02

Abril 07 2012

 

Tal como prometido aqui, eis uma breve explicação do significado e dinâmica da mianzi.

 

Traduzindo à letra, mianzi significa "face" e é grosseiramente equivalente ao conceito ocidental de reputação. Pode-se perder face, dar face, preservar face ou acentuar face, e todos esses actos têm profunda importância nas relações entre chineses.

 

Perder face (diu mianzi, 丢面子) acontece quando algo danifica a nossa reputação, o que obviamente deve ser evitado sob pena de perdermos o respeito do outro e a sua recusa em lidar connosco.

 

Dar (ou não dar) face (gei mianzi, 给面子) a outra pessoa significa respeitar (ou não) essa mesma pessoa.

 

Preservar face, (liu mianzi, 留面子) e aqui é bem patente a especifidade cultural chinesa, é a preocupação com o proteger a "face" de outra pessoa, abstendo de dizer ou fazer coisas que deixariam o outro numa posição desconfortável. Pessoas muito diretas que gostam de "dizer as coisas como elas são" teriam uma conduta considerada pouco correcta na China.

 

Preservar face é fundamental mas não chega. Como sinal de estima pelo outro é importante acentuar face, (jiang mianzi, 讲面子) elogiar as suas virtudes e conduta, sendo que em conversas com chineses é comum receber doses gigantes de elogios. Mas atenção: a modéstia é altamente valorizada pelos chineses e quando se é elogiado não se deve agradecer (sinal de aceitação do elogio) mas pura e simplesmente recusar os elogios e negar a qualidade que nos está a ser valorizada.

 

publicado por Ordep às 02:36

Abril 05 2012

Ou mais propriamente, a maior dolina.

 

A minha última viagem levou-me ao maior buraco natural que existe. 662m de profundidade, 119349000m³ de volume. Chama-se Xiaozhai Tiankeng e fica perto da primeira garganta do rio Yangtzé, no extremo do município de Chongqing. As fotografias que tirei não ficaram nada de jeito por causa da chuva, mas de qualquer forma consegui arranjar imagens para mostrar-vos o que vi. Asseguro-vos que a paisagem que se me apresentou foi das mais invulgares que alguma vez vi.

 

 

Apenas lamento que estas fotos não consigam transmitir as dimensões monstruosas da dolina. Chamar-lhe "porta para o inferno" (apesar dos chineses lhe chamarem "buraco do céu") não seria uma alegoria exagerada.

 

 

 

publicado por Ordep às 04:41

Abril 01 2012

 

A razão é simples, mas totalmente desconhecida para quem não sabe chinês. Portugal em chinês é pu tao ya (葡萄牙*), uva em chinês é pu tao (葡萄) e vinho é pu tao jiu (葡萄酒). Mais do que a sonoridade comum, o facto de os caracteres coincidirem faz com que os chineses invariavelmente associem Portugal a uva e vinho. Acontece-me muito que chineses, mesmo aqueles que não sabem nada do nosso país (a não ser que é de onde vem o Cristiano Ronaldo), me perguntem se em Portugal há muitas uvas e se o vinho português é especialmente bom. A coincidência de caracteres cria atenção, metade do marketing já está feito. Agora falta a outra metade: explorar a coincidência linguística com publicidade que a transmita como uma natural consequência da qualidade do vinho português.

 

 

 

* Caso não lhe apareçam os caracteres chineses e em vez disso apareçam quadrados ou outros simbolos errados significa que o seu sistema operativo não tem o suporte para caracteres asiáticos instalado. Se assim for e caso queira remediar essa situação contacte-me que lhe resolverei o problema.

publicado por Ordep às 05:20

Março 30 2012

Há dois dias recebo a notícia que durante metade da próxima semana estaria livre de obrigações. O motivo seria o feriado tradicional chinês conhecido por Dia dos Mortos. Nos anos anteriores este feriado não me tinha proporcionado mais do que um único dia livre, por isso pensei que a sorte deste ano não era uma coisa generalizada, nada como o Ano Novo Chinês em que metade da China viaja para a terra natal. Com tempo livre e sem multidões a entupir os transportes públicos, chegara o momento de fazer uma expedição há muito ambicionada - vários dias a apanhar comboios, autocarros e provavelmente camelos até chegar aqui: 

 

 

É o Lago do Quarto Crescente. Uma das maravilhas do Deserto de Gobi, no noroeste da China.

 

Acontece que por estar especialmente ocupado nestes últimos dias tive de adiar a compra do bilhete de comboio para Lanzhou (capital da província onde fica este oásis) para a última hora. Mas hoje, quando fui comprar o bilhete, tive a notícia de que está esgotado. Tanto hoje, como amanhã, como nos próximos dez dias.

 

A minha tão desejada viajem não passou de uma ilusão. Ironia suprema que o deserto, mesmo estando tão longe, não deixe de causar miragens.

publicado por Ordep às 11:16

Março 28 2012


Chama-se lamian. A técnica de confecção foi aperfeiçoada pelos chineses muçulmanos da minoria Hui (lê-se rui) e cenas como esta vêem-se um pouco por toda a parte pois os restaurantes especializados nesta massa são muito populares. Após o cliente ter feito o pedido a massa é preparada como o video mostra, depois é cozida durante alguns minutos e por último é servida com caldo ou com um preparado de carne, vegetais e molho.  

Convém acrescentar que esta comida é especialmente barata: um prato cheio de lamian coberto por pedaços de cenora, pimento e galinha (pouca) custa menos de 1€.
publicado por Ordep às 07:04

Março 26 2012

  Para promoção turística é comum encontrar cidades que têm a alcunha de Veneza lá do sítio. Nós temos Aveiro - a Veneza portuguesa, os russos têm São Petersburgo - a Veneza do Norte, os franceses têm Colmar onde parte da cidade é chamada "la petite Venise", e então os alemães têm Venezas às pazadas: Passau - a Veneza da Baviera, Bamberg - a pequena Veneza, Stralsund, Friedrichstadt, Ulm e por aí fora. Na maioria dos casos a única semelhança entre a original italiana e as sósias improvisadas é a existência de canais, sendo que o uso exagerado do termo provoca tanto uma banalização da bela cidade italiana como esconde as características únicas das outras Venezas todas.

 

Na China também há Venezas. A mais famosa chama-se Suzhou (pronuncia-se Sudjou) e é assim:

  

 

 

 

  Convém porém referir que Suzhou é chamada a Veneza do Oriente principalmente para atraír turistas ocidentais, pois entre os chineses a beleza da cidade é famosa quanto baste, não necessitando de comparações manhosas. Curiosamente há pouco tempo vi no site de uma agência de viagens chinesa uma promoção de viagens para a Europa em que dizia assim: "Venha conhecer Veneza, a Suzhou da Itália"...

publicado por Ordep às 05:10

Março 24 2012

Ontem o Porta da China foi honrado com um destaque na página de blogs do Sapo. A simpatia do batráquio por este nosso blog trata-se certamente de um equívoco, porque apesar de no folklore chinês sapos aparecerem frequentemente referenciados como mágicos, artistas que conhecem o segredo da imortalidade, protetores da riqueza dos homens, autores dos eclipses lunares ao periódicamente engolirem a lua...

 

 

 

...a verdade é que na China, lenga-lengas à parte, o sapo serve mesmo é para ser comido.

 

 

 

E vende-se nos supermercados assim:

 

 

 

 

 

publicado por Ordep às 08:32

Março 23 2012

 

 

Fartámo-nos de te chamar antiquado no início do século passado e coisas muito piores depois, durante a Revolução Cultural, mas não leves a mal, toda a gente tem direito a ter as suas confusõezitas ideológicas. Agora construímos institutos com o teu nome, à moda do Goethe Institut dos alemães ou do Instituto Camões dos portugueses. É que para lá da nossa China a tua expressão de avôzinho que conta histórias é bem mais enternecedora do que a do quem-nós-sabemos. E o filme que fizemos sobre ti? Gostaste? De certeza que não pois és um sábio, logo o teu gosto cinematográfico deve ser minimamente decente...

 

Mas o que interessa é que nos ajudas a mostrar o quão grandiosa é a nossa China, tanto no passado como no presente, nos ajudas a lembrar aos nossos irmãos que se foram para os Estados Unidos, para a Europa ou para outro lado qualquer, que na China ainda se cultivam os valores dos avós deles e por isso podem investir à vontade, e, acima de tudo, as tuas ideias da "sociedade harmoniosa" dão-nos um jeitão para mantermos o status quo na política interna. Enfim, Confúcio pá, és fixe!

publicado por Ordep às 02:24

Março 21 2012

 

É a dança tradicional dos Dai, minoria étnica do sul da China. A dança é feita como tributo ao animal que os Dai consideram o símbolo da felicidade e dos bons auspícios. Os movimentos são inspirados na imagem de um pavão que bebe água, banha-se na fonte, e por fim sacode a água do corpo. A solenidade da dança e da música que a acompanha revela a reverência dos Dai pelo vaidoso pássaro, assim como o elevado sentido estético desta etnia.

publicado por Ordep às 07:37

Não se deixe intimidar pelos puxadores. Do outro lado estarei à sua espera para lhe mostrar o admirável país onde vivo.

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